“Só o futebol permite que você sinta aos sessenta anos exatamente o que sentia aos seis. Todas as outras paixões infantis ou ficam sérias ou desaparecem, mas não há uma maneira adulta de ser apaixonado por futebol.” Já dizia Veríssimo.
Por trás de um time badalado, cheio de contratações promissoras, paradoxos e Hermanos, existe um time onde o sangue é rubro-negro desde pequeno. Há um time onde todos são jogadores-torcedores. Um time onde todos são crias da Gávea.
Se você acha que o ano do futebol começa pelos regionais, está errado. Os pupilos da base flamenguista começam o ano antes dos, erroneamente, nomeados craques. Os meninos que jogam pela Copa São Paulo de Futebol Júnior deveriam ser muito mais ovacionados por pertencerem a uma classe restrita de jogadores: os que amam o seu clube e não às cifras. Pode ser que um dia eles troquem o manto rubro-negro por um desenho da Rainha da Inglaterra, pois é esta a ordem natural das coisas. Mas, hoje, o maior sonho destes ousados mini-craques é chegar ao time profissional do Clube de Regatas do Flamengo.
Um jogador no Flamengo só deveria ser nomeado craque, quando jogasse com o coração na ponta da chuteira. Não necessariamente ter vestido o manto vermelho e preto na maternidade, mas querer acima de tudo ver o sorriso da torcida que grita por ele. É essa semi- -ingenuidade que faz o time júnior do Flamengo jogar com raça, amor e paixão.
Ontem este mesmo time que vos falo passou para a semifinal da Copinha. O jogo que classificou o time me fez sofrer, xingar e sorrir como uma disputa profissional. Hoje o Flamengo é um dos poucos times grandes disputando esse campeonato sub-18. Luxemburgo que fique de olhos abertos. Há muitos craques para serem tirados do nosso time de ouro: a base rubro-negra.

Fica aqui uma menção honrosa para o time de basquete rubro-negro que, ontem, ao mesmo tempo em que os craques da copinha suavam a camisa em São Paulo, foram atropelados pelo Uberlândia e deixaram a atual campeã Brasília assumir a liderança da NBB. Desrespeito não foi a surpresa que o time adversário deu para o time rubro-negro e sim passar dois jogos do time da Gávea ao mesmo tempo. Flamenguista torce por seu time até em cuspe à distancia e queremos ver todos os jogos, de todas as competições. Grata.
Aqui fica também o meu pesar de, ontem, assistir a uma burrice colossal. Duas torcidas que gritam pelo mesmo manto brigando é algo que me faz sentir vergonha. Alguma atitude deve ser tomada diante a isto. Botem na cabeça de cada um de vocês que somos todos: Clube de Regatas do Flamengo, e não essas subdivisões onde parecem se orgulharem mais da torcida organizada do que de próprio time e do espetáculo que é o futebol.